3 Reflexões que eu trouxe da Europa para o meu trabalho – Parte II.

9/06/2017 | Criatividade

3 Reflexões que eu trouxe da Europa para o meu trabalho – Parte II.

9/06/2017 | Criatividade

E aí, tudo bem? Este texto é uma continuação deste outro aqui. Caso você ainda não tenha visto, recomendo dar uma olhada antes, beleza? 🙂

O segundo ponto que me impactou bastante durante a viagem foi o poder da história. Muitas vezes, na correria do dia a dia nos “acostumamos” com as coisas à nossa volta e não percebemos significado em meio a elas.

Quando estamos de férias, despreocupados com todo o resto e concentrados apenas em aproveitar o momento, nos conectamos mais facilmente.

Reflexão 02. O poder de contar uma boa história.

Enquanto eu e a Tati caminhávamos pelas ruas de Londres e Paris aprendíamos que cada cantinho guardava uma história incrível. Infelizmente, não dava tempo de absorver tudo, mas deixe-me compartilhar com você algumas coisas que isso tudo me ensinou:

Histórias geram valor

Quando você está em um museu ou em uma galeria de arte, existe algo que é tão importante quanto as obras que você irá apreciar. É aquele pequeno pedaço de papel que fica ao lado da exposição e que em poucas linhas resume o que ela significa ou como foi concebida.

Obra de Picasso, no Tate Modern, em Londres - O poder de contar uma boa história

Se você retira a história, fica apenas o quadro, o objeto. Foi o que eu senti num primeiro momento ao me deparar com uma pequena pedra, no Natural History Museum.

Em poucos segundos, uma “pedra pequena e sem sentido” virou “um pedaço da lua, extraído durante a missão Apollo 16, em 1972.”

Pedaço da lua, extraído durante a missão Apollo 16, em 1972

Ou quando estava no Imperial War Museum, em frente ao “pedaço de ferro retorcido” abaixo:

Parte de uma das janelas do WTC, após o atentado de 11 de setembro.

“Conhecer a história que existe por trás de algo ou alguém irá impactar completamente o seu conceito sobre aquilo.”

Histórias despertam o desejo

Uma vez que você se envolve com a história de algo, você passa a desejar cada vez mais aquilo. No dia em que fomos visitar o Museu do Louvre, todos os caminhos lá dentro apontavam para a mesma coisa: Mona Lisa.

Mona Lisa, no Museu do Louvre, em Paris.

O museu é gigante, guarda centenas de obras originais incríveis de artistas fantásticos. Porém, indiscutivelmente, a obra mais desejada pelo público era o famoso quadro de Da Vinci. Por que? Será que é pela beleza da obra? Duvido muito.

A grande maioria das pessoas queria ver a Mona Lisa por causa das histórias que a envolvem, que são várias. As hipóteses sobre quem era a Mona Lisa, o significado do seu misterioso sorriso, o roubo da obra, e por aí vai.

A forma como o quadro estava exposto também ressaltava a sua importância. Diferentemente da grande maioria das obras, expostas pelas paredes do museu, a Mona Lisa é protegida por um vidro à prova de balas, e você não consegue chegar muito perto dela.

Além do objetivo claro de segurança, estes pequenos detalhes também possuem outra função: criar uma percepção de valor acima da média e despertar o desejo nas pessoas em querer se aproximar do quadro.

Pude perceber um tratamento muito semelhante aplicado a alguns produtos da loja Harrods, expostos como verdadeiras obras de arte. Pode imaginar quanto deve custar uma bolsa dessas?

Loja da Harrods, em Londres. Produtos de grife, expostos como verdadeiras obras de arte.

Histórias precisam ser verdadeiras.

Essa afirmação me veio à mente quando estava no Tate, diante de obras originais de artistas consagrados, como a de Pablo Picasso, que mostrei antes.

Na minha opinião, tudo que falei até aqui só funciona quando é de verdade. Eu já havia comentado neste outro texto aqui sobre a importância de se contar histórias reais.

A mentira tem perna curta, e isso você já sabe. Todo o esforço para a construção de uma percepção de valor pode ir por água abaixo se estiver alicerçado em falsidade. Se a sua obra for fake.

Publicidade não é sobre contar mentiras. Pelo menos não deveria ser. É sobre contar a melhor versão da história da empresa, produto ou serviço.

Como conectar-se com a história da marca influencia o trabalho do designer?

“Quando vamos desenvolver uma peça gráfica para alguma marca, a coisa flui muito mais facilmente se soubermos qual a história que precisa ser contada a partir dela.”

Geralmente, a pressão pelo prazo apertado nos força a pensar que precisamos “criar algo bonito” no menor tempo possível. O problema é que o “bonito” para nós nem sempre resolve o problema. Nem sempre passa a mensagem certa.

Entender, de fato, qual o objetivo que queremos alcançar com aquilo que estamos criando é fundamental para ser assertivo, evitar a frustração do cliente e dezenas de refações.

Dicas práticas:

Procure se conectar de verdade com as marcas para qual você vai criar, mesmo se você trabalha em uma agência ou se alguém intermedia o briefing entre você e o cliente. Não terceirize essa responsabilidade. Ela é sua. Posso afirmar que o trabalho fica menos estressante e dá menos retrabalho.

Na próxima vez que for criar uma peça, mesmo que seja um card para Facebook, se pergunte: Qual o objetivo que eu quero alcançar com isso? O que eu quero que as pessoas façam quando se depararem com essa peça? Qual a forma mais adequada de contar essa história? Estilo “Mona Lisa” ou estilo “produto de R$1,99”?

Eu sei, eu sei. No dia a dia, às vezes, a realidade não é tão simples assim. Mas a questão aqui não é sobre ter mais tempo ou esperar que as coisas mudem. É sobre você mudar internamente a forma de encarar o seu trabalho. É sobre ter novos hábitos e uma nova visão sobre o que você faz. É contar (e criar) uma nova história.

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