3 Reflexões que eu trouxe da Europa para o meu trabalho – Parte III.

1/07/2017 | Criatividade

3 Reflexões que eu trouxe da Europa para o meu trabalho – Parte III.

1/07/2017 | Criatividade

Existe algo que está diretamente relacionado aos três textos que eu escrevi, que é a questão de buscar referências. Seja para sua criação gráfica, como falei no primeiro texto, para conceituação e significado, como trouxe no segundo, ou no aspecto que quero abordar agora, nesse terceiro. Então, vamos lá. 🙂

Reflexão 03. Criatividade, às vezes, é simplesmente cruzar contextos diferentes.

Como eu já havia comentado, estamos constantemente construindo em nossa mente um repertório visual de referências a partir daquilo que observamos. Porém, além desse repertório visual, precisamos construir também um repertório rico de experiências e aprendizados, que mais tarde podem nos dar insights criativos para ajudar a solucionar um problema em um outro contexto.

No Natural History Museum, em Londres, tem um local que mostra a relação entre utensílios comuns que utilizamos e alguns animais, como as garras de uma lagosta e um triturador de nozes, ou do ferrão de uma abelha e a agulha de uma injeção. Não sei ao certo se tais objetos foram realmente criados inspirados nesses animais, mas essa semelhança nos faz refletir sobre como é possível buscar referências fora de onde estamos habituados e criar conexões para extrair ideias. É preciso enxergar o mundo à nossa volta com um olhar diferente, sempre tendo em mente o desejo de aprender algo novo.

Muitas vezes, caminhando na rua ou vendo alguma coisa extremamente aleatória, tenho um insight interessante e penso: “Que ideia bacana! Não sei o que fazer com ela agora, mas um dia tenho certeza que vou usar para alguma coisa.” Isso já me salvou na hora de criar conceito de campanhas, slogans, ações de ativação de marca e muitas outras coisas. É como se eu já tivesse feito um trabalho de pesquisa e análise para o projeto, antes mesmo de saber que eu iria trabalhar nele.

“Isso não é minha função”

Na maioria das agências ou até mesmo enquanto freelancer, o designer é mais conhecido como “o carinha da arte”. O mercado nos vê assim. “Conhecimento no pacote Adobe” é suficiente, é o que as vagas de emprego geralmente pedem. Entretanto, se você que está lendo isso é um(a) designer e acredita que pensar além do layout não é sua função, gostaria de lhe convidar a se enxergar como alguém bem mais importante do que isto.

Segundo o livro Design Thinking – Inovação em negócios, “Embora o nome ‘design’ seja frequentemente associado à qualidade e/ou aparência estética de produtos, o design como disciplina tem por objetivo máximo promover bem-estar na vida das pessoas. (…) O designer enxerga como um problema tudo aquilo que prejudica ou impede a experiência (emocional, cognitiva, estética) e o bem-estar na vida das pessoas (considerando todos os aspectos da vida, como trabalho, lazer, relacionamentos, cultura etc.). Isso faz com que sua principal tarefa seja identificar problemas e gerar soluções.”

A verdade é que a cada job novo você sempre tem, no mínimo, dois problemas para resolver: o seu e o do seu cliente. O seu é entregar um trabalho que deixe o cliente satisfeito, o que vai acontecer apenas se o problema dele for solucionado também. Sabe aquela hora que você coloca os fones de ouvido, dá um play em seja-lá-o-que-for e parte pra criação? Talvez seja o momento que você mais curte do seu trabalho. Mas ele se torna ainda mais incrível quando você entende e busca, de fato, ajudar o cliente. Esse é o nosso verdadeiro trabalho.

Desenvolver o hábito de estar sempre buscando aprender algo novo e armazenar esses insights vai lhe ajudar a ter ideias “criativas” na hora de resolver alguns briefings. E sim, “criativas” entre aspas mesmo, porque na verdade o que você vai fazer é simplesmente cruzar contextos diferentes que já existiam isoladamente.

Algumas dicas práticas:

• Anote seus insights assim que vierem. Não confie na sua memória. Prefira confiar num sketchbook ou num Evernote da vida.

• Conecte-se com o presente. Isso tem me ajudado muito no dia a dia! Tente se conectar de verdade com o que você está vendo ou fazendo naquele instante. Além de aproveitarmos mais os pequenos momentos da vida, ficamos mais sucetíveis a obter um insight ou aprendizado, até mesmo em situações rotineiras e comuns.

• Tire um tempo à noite para refletir sobre o dia. Se ele foi muito corrido, pelo menos reserve alguns minutos antes de dormir para pensar sobre isso. E neste momento, use a primeira dica.

Vamos trocar uma ideia? Deixa um comentário aí embaixo. 🙂

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