Designer especialista X Designer generalista.

3/10/2017 | Empreendedorismo e Carreira

Designer especialista X Designer generalista.

3/10/2017 | Empreendedorismo e Carreira

Você já deve ter visto por aí, pelos Behances ou Pinterests da vida, pessoas com um trabalho absurdamente incrível. São aqueles portfolios que, ao invés de te inspirar, te fazem se sentir um lixo, com vontade de desistir da profissão por achar que nunca conseguirá ser tão bom assim.

“Meu Deus, eu sou um bosta!” Quem nunca se sentiu assim?

Mas, calma! Preste atenção. Você vai notar que, geralmente, o trabalho dessas pessoas segue um mesmo padrão. Ou o foco é um tratamento de imagem impecável, ou então um traço de ilustração muito específico que se repete em todos os projetos, e por aí vai. Elas são especialistas em uma técnica ou estilo específico. 

Em qualquer profissão, você tem dois caminhos a seguir: se tornar um especialista, como uma dessas pessoas de portfolio invejável, ou trabalhar num formato generalista, se dedicando também a entender um pouco mais de outras áreas que possuam relação direta (ou até indireta) com a sua.

Na minha opinião, se tornando um designer especialista você terá a chance de ser a referência máxima naquilo que você escolheu para focar, e isso é muito bom. Também terá uma possibilidade maior de agregar valor ao seu trabalho e cobrar mais caro por ele. Porém, você pode se tornar mais vulnerável as mudanças de mercado, com uma maior dificuldade de adaptação e recolocação.

Por outro lado, vamos analisar a situação de um designer generalista. É aquele designer que não cria as melhores ilustrações vetoriais do mundo, mas se vira bem nessa e em outras técnicas de ilustração também. Não é a maior referência mundial em criação de peças publicitárias, mas tem bom gosto, sabe diagramar legal, harmoniza bem as cores e, ainda por cima, se preocupa em prever como a sua criação irá se comportar em diversos canais quando for executada. Ele também não é redator, porém, sabe escrever bem e bolar umas chamadas criativas quando precisa. Esse tipo de profissional consegue encarar muito mais facilmente as oscilações do mercado.

Em épocas de otimização de custos e necessidade de aumentar (absurdamente) a produtividade e entrega dos colaboradores, a maioria das agências tem valorizado muito os profissionais generalistas. Pessoas capacitadas em sua área específica, mas que também são capazes de sair do seu quadrado e propor soluções que otimizem o dia a dia no trabalho ou que ajudem de fato os clientes a venderem mais.

E então? Especialista ou generalista?

Acredito que o mercado sempre vai precisar dos dois perfis. A decisão de ser um designer especialista ou generalista não está baseada em certo e errado. Os dois são certos. A questão deve ser decidida com base naquilo que VOCÊ quer para a sua vida.

Se você gostaria de trabalhar com mais liberdade e de forma mais independente, é indispensável que você tenha uma visão mais ampla, fora da sua especialidade e, principalmente, fora da sua zona de conforto.

Tenho absoluta certeza que, hoje, trabalhando como autônomo, eu só consigo manter clientes e fechar novos projetos por ter uma visão generalista. Além de diferentes habilidades no campo do design, é crucial saber sobre vendas, atendimento, marketing, entre muitas outras coisas.

Creio que este seja o maior problema do designer que sonha em trabalhar como freelancer e não consegue. Acreditar que ter um bom trabalho é suficiente para fazer os clientes aparecerem é o maior erro no mundo dos negócios.

Mas um generalista não é aquele cara que é “meia boca” em tudo, que não faz nada bem?

Não. Ser um generalista não tem nada a ver com ser mediano. O que determina se o trabalho de uma pessoa vai ser ótimo ou medíocre é o nível de compromisso dela com ela mesma em querer ser foda (desculpe o palavrão, mas não tem como usar outra palavra).

Óbvio que existe um preço a pagar quando você escolhe aprender sobre vários assuntos diferentes. Exige tempo e um esforço maior. Mas, ainda assim, não é desculpa. Sabe aquela famosa frase, “Se quer ver algo feito, peça a alguém que não tenha tempo”? É a mais pura verdade. Quem quer aprender algo novo, crescer e se superar, vai arranjar tempo.

Como eu falei, não existe certo ou errado em relação a esse assunto. Mas a minha visão é a seguinte:

“O especialista sem um olhar mais amplo sempre será apenas uma peça no quebra cabeça dos outros, por melhor profissional que seja.”

Claro que as empresas sempre precisarão de especialistas. Mas a questão é: será que você precisa de uma empresa? Pense nisso.

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